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Música, Arte, e muito Fingerstyle! Conheça Jonathas Ferreira

“Depois de perceber que a música muda a vida das pessoas pra melhor, não conseguia mais me ver fazendo outra coisa que não fosse tocar violão”. Conheça uma das maiores referências do violão fingerstyle no Brasil e professor do Planeta Música.

 Os recursos musicais do violão fingerstyle ultrapassam qualquer limite da percepção sonora. Somando técnicas diferenciadas que exploram ao máximo as possibilidades do instrumento, o violonista busca atingir um nível de emoção em seus ouvintes que palavras cantadas não são suficientes para alcançar. Esta é a meta de Jonathas Ferreira.

“Cheguei em casa, coloquei o CD pra tocar, e a partir dali começou tudo. Entrei cada vez mais no universo do Fingerstyle, sempre buscando me aprofundar no estudo das técnicas.”

  Natural de Passo Fundo (RS), o músico de 31 anos é uma das maiores referências do violão Fingerstyle no Brasil. Com trabalhos autorais como o disco “Correnteza” e o “DVD Jonathas Ferreira”, Jonathas leva sua música Brasil afora, ganhando destaque no cenário internacional tendo participado de eventos como o Residential Guitar Seminar e o Andy McKee’s Musicarium, além de ter recebido menções de Selos musicais internacionais como a FretMonkey Records e comentários de músicos consagrados como Jon Gomm, Andy McKee, Pierre Bensusan e Luiz Bueno.

 Jonathas é bacharel em violão erudito pela Universidade de Passo Fundo e autor de uma metodologia própria de ensino do violão, que se estende desde o Violão Popular ao Fingerstyle.

“Na internet você encontra absolutamente tudo, mas tem muita gente aí ensinando sem metodologia. É aquela história de repassar o conhecimento de forma empírica, do jeito que aprendeu e não buscou atualizações, e às vezes o pessoal não tem uma metodologia ou uma sequência de como construir os passos para o aprendizado evoluir”.

 


O Planeta Música entrevistou Jonathas, que nos revelou um pouco da sua história com o violão, o Fingerstyle, e outras bagagens musicais que o músico carrega ao longo de seus 18 anos de Som. Confira nossa entrevista exclusiva.

Lançamento DVD Jonathas Ferreira, SESC Passo Fundo (RS)

– Jonathas, qual foi o seu primeiro contato com o violão?

  O primeiro contato com o violão foi aos 13 anos, quando participava de um grupo de jovens da igreja católica chamado “ONDA”. Participei de um dos retiros deste grupo e gostei muito da energia que acontecia na parte musical. Engraçado que sempre via meu irmão tocando violão em casa, porém nunca havia despertado o interesse. Mas foi neste grupo de jovens que percebi que tocar violão seria legal, por ser um instrumento que integra e gera boa energia nas pessoas, então, comecei a fazer aulas com uma menina que também participava do grupo e em poucos meses eu já conseguia fazer a maioria dos acordes, e fui estudando cada vez mais.

 

– Em que momento da sua vida você percebeu que viveria de música e que sua missão aqui seria tocar violão para as pessoas?

  Na época do colegial, eu já tinha um domínio maior do instrumento e eu percebi que aquilo era uma coisa que agradava as pessoas, que entretia. E naquela época, o fato de estar agradando de alguma maneira, de perceber que o som do instrumento e a música faziam diferença pra melhor na vida delas, me fez pensar que estava na hora de estudar música mais a fundo. Quando entrei no segundo grau, escutava muito rock’n Roll e conheci vários amigos com o mesmo gosto musical e começamos algumas bandas. Foi um período onde fiquei muito envolvido com música. Naquela época, já dava aulas também para amigos, colegas de aula e alguns vizinhos, e a partir dali me dei por conta que não me via fazendo outra coisa que não fosse tocar violão, e unindo ao fato de que a música transforma vida das pessoas pra melhor, decidi que era hora de começar a me aprofundar nos estudos.

 

– Quando você conheceu o Fingerstyle e como foi o seu primeiro contato com este estilo de tocar violão?

  Tenho este dia bem claro na memória. Eu trabalhava na prefeitura de Passo Fundo e acompanhava um grupo musical de crianças de escolas da rede municipal. Eles tocavam flauta doce e eu as acompanhava ao violão de cordas de nylon. Um dia, decidi levar o violão de corda de aço pra tocar em uma apresentação. Nunca tinha ensaiado com ele e iria fazer uma apresentação na universidade. Chegando lá, tirei o violão do bag e meu professor de violão na época passou por mim e disse brincando: “O que você tá fazendo com esse berimbau aí?”; Respondi no mesmo tom dizendo que que estava cansado das cordas de nylon e resolvi fazer um teste com o aço. Ele olhou pra mim, tirou de sua bolsa um CD e me disse: “Quer tocar violão de aço, é? Escuta esse cara aqui e me diz o que acha”. O disco era o Oracle, do Michel Hedges. Cheguei em casa, coloquei o CD pra tocar, e a partir dali começou tudo. Entrei cada vez mais no universo do Fingerstyle, sempre buscando me aprofundar no estudo das técnicas.

– Em todas as suas músicas nós percebemos que você integra diferentes técnicas do Fingerstyle como tappings, harmônicos, diferentes afinações, recursos percussivos, entre outras. Como é o processo de criação e composição de suas músicas e como você mescla todos estes recursos do Fingerstyle?

  Meu processo de produção começa de várias maneiras. Vou pensando em várias coisas. Em algumas composições, inicio com um groove de baixo e vou pensando em outras melodias, e em outras o processo é o contrário, começando pela melodia ou ainda pela progressão de acordes. Gosto de compor inspirado no trabalho de alguém, por exemplo, a “Bossalsa” foi feita em um momento que escutava muito Don Ross, um dos professores do Andy McKee, e todos os discos dele tem uma característica muito forte que são os baixos, sempre muito bem “groovados”, com muito ritmo. Pensei em fazer algo baseado nisso.

 

– Em 2014 você lançou o disco “Correnteza” e em seguida lançou o “DVD Jonathas Ferreira” com composições autorais em um trabalho que agrega não só à música, mas também à poesia e artes plásticas. Como foram os processos de construção deste trabalho e quais experiências que você agregou nestes processos?

  A construção de um trabalho musical fica muito mais rica quando outras pessoas estão envolvidas. Meu primeiro disco lançado em 2014 foi todo feito de maneira solo. Contei com a produção e direção musical do Michael Correa, um amigo de Porto Alegre, e ele deu uma luz para esse primeiro processo, pois até então eu nunca tinha gravado nada. Quando realizei o show de lançamento do CD, decidi registrar aquilo em áudio e vídeo e talvez usar aquele material futuramente. A qualidade ficou acima do esperado e me surpreendi com o resultado, então, pensei em trabalhar em cima desse registro e produzir um DVD.

  Contei com algumas participações no show de lançamento do CD, e no desenvolvimento do DVD optei por fazer um trabalho mais coletivo e dar uma cara diferente do primeiro disco. Os músicos que participaram do show foram o Jony Ken, Odorico Ribeiro e a Melisse Delavy. Na música “Comment Serait Paris”, contei com a participação da Giulia Cittolin, artista plástica de Passo Fundo, que compôs uma tela inspirada nesta música, e juntamente com a Creativa produtora de Passo Fundo e o diretor de fotografia do DVD, Felipe Scappatura, captamos as imagens e editamos o video em Stop Motion. Também convidei o amigo Bruno Philippsen, poeta e escritor de Passo Fundo, onde compôs poesias inspirado nas músicas. Além de todas as participações, a própria arte do DVD já chama a atenção por ser um material diferente, onde o barquinho acompanha o encarte e também a bolacha do disco. No encarte, constam também todas as afinações que utilizei nas composições. Ficou um material multifacetado.

Lançamento DVD Jonathas Ferreira, SESC Passo Fundo (RS)

– Você teve a oportunidade de participar do Andy McKee’s Musicarium duas vezes, e teve contato com várias lendas do Fingerstyle como Preston Reed, Antoine Dufour, Stephen Bennett, Billy McLaughlin, além de tocar ao lado do próprio McKee, interpretando a música de uma de suas maiores influências, Michel Hedges. Como foi essa experiência e como ela contribuiu para sua bagagem musical?

  Foi incrível. Em 2013, antes de ter participado do Musicarium, fui à França participar de um curso de violão ministrado pelo Pierre Bensusan, outra grande referência que tenho no Fingerstyle. Conheci o trabalho do Pierre na mesma época que descobri o Michael Hedges. Seu Fingerstyle é diferente do estilo moderno com afinações alternativas e elementos percussivos. Ele é especialista na afinação DADGAD e sua música é muito forte e significativa pra mim. Foi o primeiro curso de música que participei depois da faculdade. Em 2015, vasculhando pela internet, vi uma publicação do Andy McKee dizendo que iria realizar a primeira edição de um curso que aconteceria nos Estados Unidos, onde o Antoine Dufour, o Stephen Bennett e o Billy McLaughlin seriam instrutores. Na hora pensei: “é agora!”, a oportunidade de conhecer e trocar ideia pessoalmente com as lendas do Fingerstyle. Chegando lá, o clima do Camp era uma coisa fantástica. Todos estavam lá para aprender e fazer Som, sem aquele exibicionismo do “modo pavão” que o cara tem que mostrar toda sua técnica. As refeições e momentos de descanso eram feitos com os professores, então nós conversávamos o tempo inteiro e acabamos criando uma amizade muito boa. Eu, em especial com o Andy McKee. Logo depois desta edição, ele veio pra um festival no Brasil e eu fui ao show. Conversamos por horas no camarim e falando sobre o Musicarium e as experiências de lá, ele acabou me convidando para participar da segunda edição. Aquilo foi realmente fantástico! Nesta segunda edição, tive aulas com Thomas Leeb, Craig D’Andrea e Preston Reed.

 

– O Fingerstyle tem ganhado cada vez mais relevância no cenário nacional. Com sua experiência musical, como você enxerga este cenário no Brasil e a contribuição da internet para a divulgação do Fingerstyle? 

  Eu acho que a internet ajudou a divulgar tudo, e em relação ao cenário do Fingerstyle no Brasil, ele está crescendo bastante. Eu considero que depois da “Drifting” o conceito sobre violão mudou radicalmente. Foi a união de dois fatores: A música do Andy McKee ser boa e o boom do YouTube lá por 2006.

VEJA TAMBÉM – Aprenda a tocar Drifting, de Andy Mckee

  Temos muitos violonistas brasileiros com trabalho relevante e discos gravados, tocando Ao Vivo e produzindo material. Temos compositores para violão de alto nível, por exemplo o André Geraissati, que toca violão de corda de aço, usa efeitos percussivos, técnicas alternativas, mas não é tão conhecido. São coisas normais que acontecem quando falamos sobre música instrumental. Não é algo que é divulgado em canais de grande abrangência. São conteúdos que a gente só encontra procurando.

  Tem também aquele lance que o que vem de fora tem mais valor pro público. Eu mesmo já fiz este julgamento e vejo que a coisa não é bem assim. As pessoas olham os violonistas de fora e pensam “pô esses caras são os que tocam”, e quando um brasileiro vai pra fora, estes mesmos dizem “olha lá, o cara foi pra fora! Eu sabia que ele era bom” e coisas do tipo. Existe uma dificuldade das pessoas reconhecerem que existem artistas bons aqui. Acredito que isso é reflexo da educação que recebemos e da falta de desenvolvimento de nosso senso crítico.

Jonathas Ferreira, SESC Passo Fundo (RS)

– E para finalizar, quais dicas você daria para quem está começando a se interessar e estudar o Fingerstyle? O que o músico deve buscar para aprender esta linguagem musical?

  Hoje em dia o acesso à informações é muito maior do que na época que comecei a tocar. Na internet você encontra absolutamente tudo, mas tem muita gente aí ensinando sem metodologia. É aquela história de repassar o conhecimento de forma empírica, do jeito que aprendeu e não buscou atualizações, e às vezes o pessoal não tem uma metodologia ou uma sequência de como construir os passos para o aprendizado evoluir. Então, a dica que eu dou é procurar um professor que tenha um método e que tenha estudado o assunto a fundo, e não simplesmente vídeos de tópicos isolados. Procure uma pessoa que possa dar uma orientação correta e que poupe você do processo inicial de ficar perdido ou de criar vícios. Se deixar pra depois pode ser pior.

Confira a entrevista na íntegra.

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