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A Expansão do Blues: do Delta para o Mundo

  Ao ouvirmos um som de Blues, logo somos inundados pelas entonações musicais que exalam de cara a essência deste estilo musical. Após conhecer As Origens do Blues, fica fácil perceber que o Blues é um importante marco para uma grande mudança no mundo da música.

A Expansão do Blues

  Cantado originalmente nas plantações do Mississipi Delta região ao Sul dos EUA, o Blues se popularizou entre os trabalhadores e escravos, e evoluiu de tradição oral para um novo estilo musical. Os primeiros músicos de Blues apareceram em Mississipi, e nomes como W.C. Handy e Gertrude Ma Rainey foram responsáveis pela consolidação do que ficou conhecido como Delta Blues, com características musicais marcadas por repetições de riffs e vocais potentes.

  A busca por melhores condições de vida era o objetivo da grande maioria dos trabalhadores rurais que habitavam o Sul dos EUA. Os avanços tecnológicos da segunda fase da Revolução Industrial que chegava às grandes cidades do Norte eram um enorme atrativo para muitos afro-americanos que buscavam fugir da opressão e escravidão do Sul. A partir dos anos 20 e 30 muitos músicos migraram das cidades do Sul como Mississipi e Nova Orleans em direção aos grandes centros urbanos como Chicago e Boston. Com isto o Delta Blues se espalhou por diferentes regiões do país, sendo moldado pelos padrões culturais de cada local. Músicos como Albert King, Elmore James, Muddy Waters, Jimmy Reed, Mose Allison, Big Joe Williams, Otis Rush levaram o Blues a regiões ao Norte do país, consolidando o Blues cada vez mais como uma nova cultura popular americana.

  O Delta Blues ganhou pequenas variações em termos de musicalidade e composição que se mesclavam com características regionais de cada cidade. Em Nova Orleans por exemplo, muitos pianistas e músicos de Jazz incorporavam muitas técnicas do Blues em suas apresentações.

  Na cidade de Piedmont, Califórnia, o Blues ganhou uma nova variação em seu estilo musical. Os músicos de Piedmont tinham forte influência do Folk americano, e tocavam o Blues com um ritmo mais leve, alegre e contagiante, utilizando os dedos para controlar a amplitude do som e muitas vezes adicionando técnicas de banjo nas composições. O Piedmont Blues já era conhecido em quase toda Califórnia, e muitos músicos de destaque surgiram durante os anos 30. Entre eles, Blind Blake, Blind Boy Fuller, Sonny Terry, Brownie McGhee, e talvez o mais notório dos Piedmont bluesmen, Blind Willie McTell.

  Excêntrica e original, a música de McTell é um clássico exemplo do Piedmont Blues. Tocando em esquinas da Georgia, McTell incorporava diferentes referências do Folk e o Delta Bues em composições originais tocadas em um violão 12 cordas, controlando o volume com os dedos e alcançando diferentes melodias. As canções de McTell influenciaram grandes nomes do mundo da música, como Stevie Ray Vaughan, e Bob Dylan, músico vencedor do prêmio Nobel de literatura.

The Memphis Blues

  A cidade de Memphis, localizada ao Norte de Mississipi Delta, foi por muito tempo a casa do Blues, e responsável pelo nascimento de um novo estilo musical. Muitos músicos do Delta Blues mudavam para Memphis em busca de oportunidades no mundo da música, além de buscarem melhores condições de vida indo para o Norte do país. Em 1912 o Blues havia se tornado popular na cidade após a gravação de Memphis Blues, canção de W.C. Handy feita para a campanha eleitoral do candidato a prefeito EH ‘Boss’ Crump. Esta foi a primeira atuação do Blues na indústria da música, e muitos músicos começaram a olhar com atenção o novo mercado musical que emergia.

  As cicatrizes das Jim Crow Laws, que institucionalizaram o racismo, ainda se conservavam na população americana. A segregação racial afetava diretamente o mundo da música, e muitas gravadoras eram bem seletivas aos músicos que colocariam em estúdio. O governo americano não dava tanta atenção aos distritos com maioria da população negra, o que de certa forma proporcionava liberdade de expressão entre músicos e plateias, já que muitos bluesmen se apresentavam nas ruas da cidade, estações, bares, clubes de dança e qualquer lugar disponível a receber um espetáculo autêntico de Blues.

  Os anos 30 marcaram a ascensão das Jug Bands, as bandas urbanas e que muitas vezes chamadas de improvisadas, mesclavam violão e linhas de vocais do Folk, escalas musicais do Delta Blues, composições de Jazz de Nova Orleans, com instrumentos como banjos, gaitas, trombetas, pianos e jugs. Umas das bandas mais populares entre as Jug Bands de Memphis era o conjunto liderado por Gus Cannon. Junto a outros artistas de Blues, Gus se tornou popular em toda a cidade de Memphis, realizando performances em clubes de dança como o New Daisy e o The Monarch, considerados por muitos a casa do Blues que se popularizava em Memphis.


The Sun Studios: o início de uma nova era da música.


Sam Philips foi outro personagem importante na história do Blues em Memphis. Os estúdios Sun abriram as portas para muitos músicos que buscavam oportunidades na nova capital do Blues. Nomes como BB King, Howlin Wolf, Johnny Ace, Rufus Thomas, a lenda do Soul Rosco Gordon, entre outros músicos do Jazz e do Blues tiveram canções gravadas no Sun Studios.

   Os estúdios de Sam Philips receberam a gravação que marcaria o início de uma nova era na música dos anos 40. A faixa Rocket ‘88’ de Jackie Brenston é considerada por muitos como a primeira gravação de uma música de Rock, tendo como referência outros grandes nomes do Soul como Artur ‘Big Boy’ Crudup e Ike Turner.


  Em 1954, uma banda discreta chegou ao Sun Studios ao fim de uma gravação para tocarem sua versão de That’s All Right Mama de Big Boy. O cantor da banda era Elvis Presley, Sam Philips imediatamente reconheceu o potencial de Elvis e estava certo de que se tornaria um grande nome da música. Sam gravou diversas canções da banda e de outros músicos, e se tornou o centro do Rock’n Roll em Memphis promovendo artistas como Carl Perkins, Jerry Lee Lewis, Charlie Rich e Jhonny Cash.

The Stax Recorded Label

  Stax Recorded Label foi outro importante estúdio de Memphis, e nos anos 70 era o estúdio de gravação mais popular entre os músicos da época. O estúdio gravou nomes como Sam and Dave, Wilson Picket, Otis Redding, Rufus Thomas e outras lendas do Soul. Além de gravar canções da Soul band Booker T. and the MGs com estrelas do Blues como Albert King e ‘Pop’ Staples.

  Por mais de 30 anos a cidade de Memphis foi a casa do Blues, e é impressionante como uma região foi capaz de concentrar e lançar grandes lendas deste e outros estilos como Rock, Jazz, e o Soul.

  O Blues migrou para Chicago durante o período pós-guerra e ganhou uma nova adaptação, desta vez em sua parte instrumental. A amplitude do violão já não era suficiente para acompanhar outros instrumentos como baixo e bateria, e muitos músicos começaram a usar captadores elétricos em seus violões. A tendência logo se espalhou, e muitos fabricantes deram início ao desenvolvimento de instrumentos com estas exigências. Era o nascimento das guitarras Blues, as famosas semiacústicas, que veremos mais afundo em outra matéria.

  Este foi um resumo da expansão do Blues, estilo musical único que foi e continua sendo referência para diferentes segmentos da música. Se você gostou, não deixe de acompanhar nossas postagens sobre guitarras e diversos assuntos do universo musical. Confira nossos cursos e navegue por nossos conteúdos exclusivos. Até a próxima!

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