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A Evolução do Violão Blues

  Conhecendo a história do Blues, logo percebemos que não se trata apenas de mais um estilo musical entre tantos outros. O Blues foi o pioneiro em diversos parâmetros da música, e nos primórdios do século 20 deu origem a diferentes gêneros musicais que conhecemos hoje. Assim como o Jazz, o Blues foi responsável pela evolução de muitos instrumentos musicais, que seguiam as inovações de músicos e artistas da época. Mas um instrumento em especial marcaria o início de uma nova era na música: o violão Blues. Esta é nosso segundo post da série exclusiva de matérias sobre o Blues, e aqui você confere a evolução do violão Blues no mundo da música.

  Para entendermos melhor sobre o violão Blues, vamos relembrar um pouco o que falamos em as origens do Blues. O Blues teve sua origem em meados de 1800, nas plantações do Mississipi Delta, região localizada ao Sul dos EUA. Inicialmente o Blues era cantado por trabalhadores e escravos das fazendas, uma forma de amenizar a opressão racista que existia na época. O Blues poderia abordar questões sociais de forma lírica e excêntrica, ao mesmo tempo em que entretia e despertava uma forte carga de emoções.

  Incorporando diferentes elementos do Folk, hinos europeus, canções tradicionais, danças countrys e africanas, entre outras tradições orais, o Blues foi se fortalecendo como uma nova cultura popular americana.

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O Violão na América

  Durante o século 19, muitos imigrantes europeus desembarcaram na América. Entre eles alguns luthiers, como o alemão Christian Fredrich Martin, aprendiz do austríaco Johann Stauffer, um dos mais famosos luthiers da história. Ao chegar nos EUA, Martin começou a fabricar violões como fez por quatorze anos na Alemanha. Porém o violão europeu não se saiu bem entre os músicos americanos, pois sua construção era complexa e tornava o instrumento caro, além de ser pouco resistente às condições climáticas da América.

  Martin e outros luthiers americanos desenvolveram então o “X brace”, uma estrutura em forma de “X” que reforçava a acústica do violão. Esta mudança tornou o processo de fabricação mais simples, muitos fabricantes e workshops produziam violões mais facilmente diminuindo o valor comercial do instrumento. Os novos modelos de violão se tornaram acessíveis a boa parte da população americana da época, ganhando adaptações que o diferenciavam do clássico violão europeu.

 

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  Assim que chegou aos EUA e ganhou novas modificações, o violão logo foi incorporado às canções de Folk substituindo o dulcimer alemão, instrumento medieval com cordas metálicas de aço tensionadas em um corpo acústico horizontal.

  Por volta de 1900, muitos luthiers incorporaram as cordas de aço ao novo violão americano. Isto tornou o violão mais pesado exigindo uma estrutura acústica diferente da “X bracing”, e os luthiers americanos projetaram o corpo do violão com tiras de madeira paralelas, chamado de “ladder bracing”, que suportava com maior estabilidade o peso das cordas de aço.

  O violão cordas de aço logo se popularizou em todo território americano, e muitos violonistas surgiram das cidades do Sudeste com os espanhóis, do Leste, e principalmente do Sul, com os músicos de Blues.

O Evolução do Violão Blues

  Não demorou muito para o violão ser uma peça fundamental das canções de Blues. Os violões com cordas de aço proporcionavam um volume maior dos acordes, e muitos escravos e trabalhadores rurais que tocavam Blues aderiram o novo instrumento. Junto ao violão, as escalas musicais europeias se difundiram entre os afro-americanos. Os músicos mesclavam estas escalas diatônicas vindas da Europa com as escalas musicais pentatônicas africanas, extraindo desta mistura uma sonoridade única e original que marcava o estilo Blues de tocar violão.

  Os músicos de Blues do Mississipi Delta e outras regiões ao Sul dos EUA, pareciam brincar entre os tons maiores e menores da mistura de escalas. Os arranjos ganhavam uma estrutura sonora de 12 compassos, e muitos músicos improvisavam técnicas que ficariam conhecidas para sempre no mundo das guitarras Blues. Deslizar as cordas no braço do violão, por exemplo, era uma técnica muito comum nas apresentações de Blues. Esta técnica ficou conhecida como bending, e atualmente é muito usada por guitarristas do mundo inteiro. O bending do Blues marcava a identidade de cada músico, que alterava as tonalidades da canção e despertava sensações únicas em seus ouvintes encantados pelo verdadeiro Blues.

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  A difusão do Blues pelos EUA causou diversas mudanças no cenário da música americana. Acompanhado de outros estilos como o Jazz e Country, o Blues se consolidou como uma nova cultura popular, evoluindo e sendo moldado por características regionais de cada cidade. Em Piedmont por exemplo, alguns músicos usavam violões 12 cordas para alcançar maior volume das cordas em suas apresentações.

Blind McTell e seu violão 12 cordas.

  No início do século 20 o Blues ganhou novos instrumentos musicais em suas canções. Era o início das jug bands, bandas que muitas vezes chamadas de improvisadas, eram formadas por gaitas, banjos, violinos, trombetas, jugs, e claro, o violão Blues. Porém, mesmo com alta sonoridade das cordas de aço, o violão muitas vezes não alcançava a amplitude dos outros instrumentos e acaba despercebido nas apresentações em conjunto. Com os novos recursos de captação e gravação que emergiram na metade do século, o Blues estava prestes se transformar novamente.

Chicago: o início do Blues Elétrico  

Os grandes centros urbanos eram um grande atrativo para a população rural que vivia ao Sul dos EUA. Muitos afro-americanos migraram para as cidades do Norte em busca de melhores condições de vida, e este êxodo para as grandes cidades espalhou o Blues e outros estilos musicais por todo território americano.

Neste período Chicago já era um centro econômico importante dos EUA, e inflava com os avanços tecnológicos da Revolução Industrial. O cenário musical acompanhou estas mudanças, e muitos instrumentos musicais se modernizaram.

A chegada do Blues a Chicago daria origem a uma nova variedade de instrumentos musicais. Músicos como John Lee Hooker e Muddy Waters, foram os pioneiros em usar adaptadores elétricos em seus violões, buscando alcançar maior volume musical e fazendo do violonista o personagem principal de qualquer música de Blues. Os músicos de Chicago usavam cada vez mais adaptadores elétricos em seus violões. Percebendo a grande tendência musical que se instalava nos grandes centros urbanos dos EUA, marcas e fabricantes começaram a produzir instrumentos de acordo com as exigências musicais da época. A Gibson foi a pioneira no desenvolvimento dos novos violões com captação elétrica, que mais tarde seriam conhecidos como guitarras semiacústicas.

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  Estes novos instrumentos de corda recebiam este nome pois mesclavam as técnicas de construção do violão clássico com novos recursos eletrônicos de captação e amplificação do som. Os primeiros modelos foram as Gibson L-5, considerada a mãe das guitarras Blues. Estes novos modelos foram os primeiros a receber os chamados “F-Hole” em suas laterais, as aberturas em formato de “f” no corpo do instrumento. Era a junção do acústico com o elétrico, e posteriormente a Gibson lançou diversos modelos com novas adaptações, como a ES-150, ES 125, ES 300, a Super 400, entre outras guitarras que se tornavam cada vez mais as queridinhas dos músicos de Blues.

A Evolução do Violão Blues

  Com o passar dos anos as guitarras Blues evoluíram sua parte eletroacústica, e muitos modelos foram popularizados com a progressão do Blues, além de e outros estilos como Rock e Jazz.

  Na década de 40, Léo Fender já trabalhava em guitarras totalmente elétricas a partir da guitarra elétrica havaiana, conhecida como primeiro instrumento a reproduzir som com recursos exclusivamente eletrônicos. A Fender e outros luthiers como Les Paul, dividem o posto de pioneiros em produzir as guitarras elétricas, conhecidas por ter corpo sólido sem elementos acústicos. As características acústicas de certa forma encareciam os custos de produção, afetando diretamente o valor comercial das guitarras Blues. Com isso a Fender tornou as guitarras mais acessíveis, atingindo um grande número de músicos com diferentes exigências e condições financeiras.

  A primeira linha de guitarras elétricas da Fender foi a Broadcaster, que alguns anos depois seria seguida pelas linhas Telecaster, Stratocaster e muitas outras que conhecemos. As guitarras elétricas foram um grande salto para o Blues e muitos outros estilos, e se tornaram personagens notáveis na história da música e do Blues.

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  Este foi um resumo da evolução do violão Blues e deste estilo musical único que serve de referência para diferentes segmentos da música. Se você gostou, não deixe de acompanhar nossas postagens sobre guitarras e diversos assuntos do universo musical. Torne-se um assinante e tenha acesso a conteúdos. Conheça nossos cursos e aprimore seu aprendizado sem sair de casa. Bons estudos!

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