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A Era Digital da Música Eletrônica

  Até a década de 50, a música eletrônica era produzida por processos analógicos de geração e manipulação do som. Mas no início da segunda metade do século, a digitalização da música eletrônica se tornava cada vez mais promissora para engenheiros da computação.

A Música Eletrônica Digital

  Em 1951, os britânicos Freddie Williams e Tom Kilburn desenvolveram em Manchester o primeiro computador comercial capaz de sintetizar conteúdos sonoros, chamado de Ferranti Mk1. Desenvolvido como parte do projeto de tecnologia da universidade de Manchester, o computador possuía um comando chamado ‘hoot’ que fornecia ao operador um feedback de como os comandos e funcionalidades estavam trabalhando. Além disso, o ‘hoot’ operava com cálculos técnicos e avançados de computação, usando métodos como Looping e Timing para gerar sinais sonoros e notas musicais, o que fez do Ferranti Mk1 o primeiro computador na história capaz de gerar e gravar sons.   Era o início da digitalização da música eletrônica, que viria a se consolidar seis anos mais tarde com o engenheiro e programador Max Mathews, em 1967.

Max Mathews (1926 – 2011)

 

  Após se formar em engenharia da computação pelo Instituto de Tecnologia da Califórnia e Massachusetts, Mathews trabalhou na multinacional de tecnologia Bell Labs (que mais tarde pertenceria à Nokia) e desenvolveu o Music 1, um programa de computador inteligente que trabalhava com os processadores IBM704 e era capaz de sintetizar, gravar e compor música eletrônica. Este seria o primeiro computador da série Music N, a qual Max dedicou sua carreira se tornando o pioneiro em desenvolver áudios digitais, sínteses sonoras e interação entre computadores e músicos.

  O segundo computador da série de Max, chamado de Music 2, nada mais era do que uma evolução do primeiro programa (Music 1), que trabalhava com uma saída de som simples oscilando apenas ondas Triangle, sem Attack ou Decay, definindo parâmetros como amplitude, frequência e duração do som. Diferente do Music 1, na saída de áudio do Music 2 era armazenada uma fita magnética junto a um conversor, chamado de DAC, uma tecnologia de conversão com uma válvula de 12bits que tornava as variáveis frequências geradas audíveis. Desta forma o Music 2 era capaz de gerar mais de 16 tipos de ondas diferentes em seus osciladores, além de trabalhar parâmetros como polifonia e vocais.

 

 

  Max Mathews continuou a série Music N desenvolvendo programas cada vez mais sofisticados como o Music IV e Music V, lançado em 1968. Conforme os avanços tecnológicos da computação progrediam, a produção digital de música eletrônica ganhava cada vez mais destaque entre universidades e empresas de tecnologia, que financiavam estudos e projetos de muitos engenheiros e programadores, além de adaptarem seus computadores para os novos programas de sintetização de música eletrônica que surgiam nas décadas de 70 e 80, como o Mus10 de Leland Smith e John Tovar (1977), o Cmix de Paul Lansky (1984) e o Csound de Barry Vercoe (1986).

DAW – The Digital Audio Workstation

  A música eletrônica se tornava cada vez mais promissora com o passar dos anos, possibilitando o surgimento de diversas empresas de tecnologia voltadas ao desenvolvimento de programas exclusivos para áudio digital. Uma delas era a Soundstream, fundada em 1975 na cidade de Utah, EUA, especializada em desenvolver gravadores digitais e softwares para manipulação de música eletrônica.   Um dos projetos notáveis da companhia foi o Digital Editing System, um minicomputador DEC PDP-11/60 responsável por executar o software de áudio chamado DAP (Digital Audio Processor), um poderoso programa armazenado no hard disk que disponibilizava um osciloscópio mostrando variadas waveforms do áudio gravado, além de mostrar todos os controles do sistema em um display de vídeo. A interface do software, chamada de DAI (Digital Audio Interface), possibilitava a gravação e edição de áudio totalmente digital, e também contava com controladores dos convencionais gravadores analógicos, permitindo assim diversos controles como a adição de efeitos sonoros e cortes nas gravações. Este projeto foi um dos percussores da tecnologia que ficou conhecida como DAW (Digital Audio Workstation), usada até os dias atuais.

LEIA – Afinal, o que é Síntese Sonora?  

A partir dos anos 80, os computadores se tornavam cada vez mais modernos, acessíveis, e mais capacitados para receber os softwares de áudio digital que emergiam nesta nova era tecnológica da música eletrônica. Empresas como a Apple, Atari ST, e Commodore Amiga desenvolviam diversos computadores voltados para a produção e edição de áudio digital, dando início à modalidade de síntese sonora amplamente usada nos dias atuais: o sample.

DAW – Digital Audio Workstation


Softwares como Macromedia Soundedit, Replay Professional, Sound Tools e Sound Designer da Digidesign são alguns exemplos de programas de computador que sintetizavam, editavam e masterizavam áudios, além de possibilitarem a integração de emuladores e teclados como o E-mu Emulator ll e Akai S900 para sampling de novos conteúdos sonoros. Muitos destes programas usavam apenas duas tracks e eram comumente usados para edição e masterização de CDs, que eram novidades na época.

 

A Era Steinberg da Música Eletrônica

  Em 1993, a empresa alemã de tecnologia Steinberg desenvolveu o Cubase Audio, um software capaz de gravar até 8 tracks, contando com um grande número de recursos para manipulação do som. Três anos mais tarde, a Steinberg aprimorou esta primeira versão, limitada apenas ao computador Atari Falcon 030. A segunda versão do software, chamada de Cubase VST (1996), contava com avançados recursos para gravação e edição de áudio, e podia trabalhar com até 32 tracks de áudio digital em um computador Apple. Além disso, o Cubase VST possuía parâmetros de sintetização sonora analógicos, como osciladores, filtros, envelopes de modulação graças ao DSP (Digital Signal Processor), um processador potente que mesclava estes recursos analógicos com funcionalidades digitais como sampling, mixagem e adição de efeitos sonoros.

Cubase 9, a última versão do software lançado pela Steinberg.

 

  Através deste software a Steinberg tornou completa a transição da música eletrônica analógica para a digital, e os recursos tecnológicos e revolucionários do Cubase VST foram logo incorporados em muitos sistemas DAWs a partir de então, possibilitando mesclar elementos analógicos como os teclados, a interfaces digitais de edição e manipulação de música eletrônica gerada em instrumentos pré-gravados (sample) ou por elementos analógicos presentes nestes sistemas. A maioria dos softwares de música eletrônica que conhecemos hoje como o Pro Tools, Logic Studio, GarageBand, FL Studio, e entre muitos outros trabalham com os avanços lançados pela Steinberg, que hoje desenvolve versões atualizadas do Cubase entre outros softwares DAW e VSTs de música eletrônica.

 

Agora que sabemos um pouco mais

  Este foi um resumo da história da música eletrônica. Sua progressão contou com a colaboração de muitos intelectuais dispostos a sintetizar o som de instrumentos reais em timbres e tons que poderiam ser controlados e modulados criando uma nova linguagem artística. Agora que sabemos um pouco mais, é hora de estudar e praticar! A música eletrônica é uma linguagem única e que carrega a identidade de cada produtor musical.   Quer saber mais? Confira nossa categoria de Produção Musical e aprimore seus conhecimentos com nossos cursos, fique por dentro de tudo sobre o mundo da música eletrônica. Até a próxima!

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