Primal Scream - Beautiful future

Ao apertar o “play” em “Beautiful future”, mais novo álbum do Primal Scream, muitos não vão nem passar da primeira música. A faixa-título do nono álbum da banda escocesa é tão grudenta que pode causar excesso de açúcar no organismo. Mas, caso você sobreviva ao teste, pode se deparar com boas surpresas.

Como bem observou o crítico musical do jornal inglês “The Guardian”, Bobby Gillespie e companhia, ultimamente, têm preferido buscar o refúgio confortável das interpretações do rock retrô tipo Rolling Stones, mas eventualmente experimentam coisas novas.

Não que este seja um novo “Screamadelica” ou um “XTRMNTR”, mas o álbum se distancia de “Riot city blues”, trabalho pouco inspirado do grupo lançado em 2006.

Aos 46 anos recém-completados, Gillespie enche os nossos ouvidos com letras sobre carros queimando e corpos de pessoas sobre as árvores. Mas o gosto do homem pelo caos – apesar de ser líder de uma banda que não vê problema algum em se envolver com peças publicitárias - não compromete uma boa audição.

Entre os pontos altos de “Beautiful future” estão “Over and over” – que não é cover de Hot Chip, mas felizmente uma ótima versão de Fleetwood Mac com participação da cantora Linda Thompson, e a improvável “Uptown”, cuja receita leva ingredientes disco e uma certa dose de krautrock.

“Zombie man” tem um saboroso apelo gospel, enquanto “Can’t go back” é da leva das mais moderninhas, lembrando bandas atuais que fazem um rock dançante, como a chamada “new-rave” do Klaxons. E por falar em rock, as guitarras ficam mais evidentes em faixas como “Suicide bomb”, que faz qualquer um requebrar, mesmo se estiver sentado.

Boa parte dessa mistura colorida é cortesia do produtor Bjorn Yttling, da banda Peter Bjorn and John, dona do “hit do asssobio” que tomou de assalto o mundinho indie recentemente, que empresta sua experiência com o pop sueco ao trabalho dos escoceses.

A brasileira Luísa Lovefoxxx, vocalista da banda brasileira CSS, é outra das participações ilustres. A bela faz dueto com Gillespie na boa “I love to hurt (You love to be hurt)”, já dando pistas de que, se um dia quiser deixar o Cansei de Ser Sexy para trás, as portas estarão abertas.

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